Vacinação Covid 19

Vacinação Covid 19

14 de Fevereiro de 2021
Foi feita a segunda dose de vacinação COVID na Residência Sénior Lezírias. É um prémio porque estamos no 1,9% de portugueses com as duas doses de vacina.
Prémio merecido e finalmente sentimos que a nossa “sorte” foi gratificada.
Sorte? Talvez. Mas acima de tudo trabalho. E não podemos nestas alturas fazer o papelzinho do português modesto que nunca valoriza o trabalho rigoroso, a competência e a capacidade profissional. Não vamos fazer esse papel.
Estamos em tempo de comemoração. Conseguimos atingir a fase de vacinação, prometida como a fase final do processo, sem qualquer infeção de residentes que são o nosso principal e quase único objetivo no trabalho que realizamos.
E este trabalho tem nomes: Helena Antunes, Evelyn, Inês, Mena, Vera, Luciene, Daiane, Fabiano, Karina, Adriane, Torloni, Rui Fontes e José de Almeida. Foi esta equipa que conseguiu passar doze meses sem transmitir o vírus a pessoas que abraçam, beijam, fazem festas, lavam, limpam, dão comer, massajam, tocam e apertam. Não há possibilidade de prestar cuidados sem toque, sem aproximação. Que conseguiram, sem quaisquer condições físicas para manter isolamentos e circuitos diversificados, de garantir afastamento ou não contacto entre residentes, de fazer vários tempos para as refeições, de poder ter equipas duplicadas e a fazerem dias de horas extraordinárias, conseguiram chegar ao fim do processo sem infetarem residentes.
Os maus estão agora a pensar: olha eles com a mania que são bons. Ainda vão é infetar todos. Os maus e os diabólicos que tem muita coragem para falar contra os êxitos dos outros sem nunca terem coragem para falar sobre os inêxitos e denunciar a incompetência e a falta de rigor, estão chateados. Afinal há quem consiga, contra todas as dificuldades estruturais na área da institucionalização, combater as situações mais gravemente criticas como é o caso da pandemia.
Os teóricos e a comunicação social andam ainda há procura de razões para os lares terem infetado. É pena. Deveriam encontrar era as razões dos lares não terem infetado e divulgar essas situações, publicitá-las e valorizá-las.
Felizmente que existem muitas entidades como a nossa pelo País. Muitas entidades, que fizeram das tripas coração durante doze meses, cujos trabalhadores mudaram radicalmente a sua vida pessoal, com prejuízos para a família e para si próprios mas que entenderam, desde o princípio, que tudo dependia deles. E que ninguém duvide disso, porque não foram as normas e regras avulso de entidades oficiais sempre em contradição umas com as outras, não foram os confinamentos do primeiro-ministro, não foram os apoios (onde estão) financeiros, não foram as brigadas, nem as ações de formação dadas por militares que nunca entraram num lar, não foi nada disso que evitou que os nossos residentes não infetassem. Foram exclusivamente os colaboradores/trabalhadores da Residência.
Há anos que faço formação em gestão de lares e que coordeno uma pós graduação. Pelo país todo a Associação que tenho a honra de presidir tem deixado uma mensagem: os lares são o espelho do diretor e a sua qualidade depende essencialmente da equipa de trabalho que se consegue constituir, formar e formatar. São as pessoas que se designam por auxiliares, com ordenados baixos e muita falta de formação de base em geral que determinam a qualidade do lar. São as mãos das mulheres e dos homens que prestam os cuidados 24 sobre 24 horas que garantem a segurança dos diretores que passam parte do ano em casa durante as noites, os feriados, os fins-de-semana, as férias e outras ausências. Sem uma equipa bem tratada não há bons cuidados. Por isso é essencial olharmos para as nossas equipas de uma forma diferente, sabermos que tem problemas, que ganham mal e vivem com alguma dificuldade e torná-las técnicas de saúde, elevar a relação e deixar de proceder como fiscais e policias sempre a procurar culpados e a tentar desculpar as nossas incapacidades com os procedimentos dos outros. Não é assim que se trabalha.
Por isso a todos eles, os meus colaboradores, os meus e minhas Ronaldos, um grande Bem-haja e um agradecimento especial da minha parte, que pouco vale mas que fica registado. E independentemente do que se passar no futuro, ficarão sempre na minha memória pelo comportamento, atitude, felicidade, gratidão, afeto e profissionalismo que demostraram nestes últimos doze meses. Em nome de todos, obrigado
UM APARTE: podiam no nosso caso premiar os trabalhadores, determinando que no final deste mês os descontos para a segurança social revertiam a favor dos trabalhadores… só por um mês.